Estar convencido que a pessoa mais importante na sua lista de pagamentos é você já é um bom começo. Porém o que me deixa triste é que muita gente sabe disso (talvez por ser um mantra entre os especialistas em finanças pessoais) mas não aplica no seu dia-a-dia, ou aplica de forma errada.
Pagar a si mesmo em primeiro lugar não é gastar tudo o que conseguir e pagar suas contas com o que sobrou. Não é economizar para comprar uma casa ou um computador. É se planejar financeiramente, estipulando uma quantia rasoavel que vai direto pra você. É se planejar para enriquecer. É separar uma parte do seu salário (ou rendimento) que você acumulará ao longo do tempo e esse dinheiro passará a trabalhar, gerando mais renda pra você.
Mas a questão é: Como fazer isso?
1° passo: Planeje-se
Pra mim, não existe saúde financeira sem um bom planejamento e não é planejamento aquele que existe só na cabeça. Planejamento tem que ser na ponta do lápis, na tela do computador ou como preferir. A visualização é muito importante.
Pessoalmente eu prefiro o planejamento mensal, porque além de mais fácil, se adequa com diversos padrões de nossa economia - os salários e a maioria dos rendimentos e despesas são organizados de forma mensal.
Planejar pra muitas pessoas parece uma tarefa chata, mas se torna prazeroso quando se pega a prática. No princípio você encontrará dificuldades, portanto, para se planejar, separe algumas horas - 1 hora será suficiente se você for organizado. Comece discriminando suas contas à pagar, depois estime seus gastos - aqueles que ainda não tem certeza de quanto gastará - e então, junto com suas despesas inclua uma nova "despesa", que é o seu pagamento. Coloque o quanto você precisa para cuidar de você (cerveja, clube, etc) e o quanto você quer poupar. Não tenha medo se o que você estipulou seja muito. Agora faça as contas, some todas as despesas, incluindo a sua nova "despesa" e veja se a conta fecha - ou seja, se seus rendimentos vão conseguir pagar todas essas contas. Não se esqueça de incluir uma despesa chamada Imprevistos, ela servirá como uma reserva, pois você está começando a se planejar agora e pode ser que se esqueça de alguma coisa ou seus cálculos não sejam tão precisos. Mais adiante explico como fazer uma conta para Imprevistos. Se a conta fechou, ótimo, mas eu duvido que na primeira vez que você faz esse planejamento ela fechará. Se a conta não fechou, não se preocupe pois é melhor errar no papel do que com o dinheiro. Refaça tudo, diminua o que puder, ajuste suas contas para pagar ao que seu rendimento comporta. Analíse o que pode ser deixado pro mês que vem, o que pode ser negociado e pago em parcelas, em fim, faça um ajuste em todo o seu planejamento até que a conta feche.
Talvez, no princípio, você conseguirá separar pouco pra você. Mas mesmo que seja pouco, separe o seu. Começe com 10% de toda a renda, se não der 10%, tente 5%, 3%.. Não importa o tanto, o importante é separar aquela quantia que fará com que você se torne cada vez mais rico. E comprometa-se a aumentar essa porcentagem à cada mês. Se neste mês você guardou 5%, tente poupar 6% ou 5,5% ou o quanto conseguir, mas sempre aumentando.
Quanto aos imprevistos, é o mesmo raciocínio, porém de forma invertida. Separe neste mês 10% para os imprevistos. Acompanhe ao longo do mês e tente melhorar seu planejamento de forma que seu imprevisto caia para 5%. Imprevistos sempre irão acontecer, porém tente minimizálos.
Lembre-se, no papel você pode errar, apagar com a borracha e fazer denovo. Se gastar seu dinheiro, não terá volta. O planejamento é fundamental para uma saúde financeira e separar o seu é fundamental para continuar encontrando forças para seguir em frente. Mas tão importante quanto planejar é executar. Da mesma forma que o papel aceita erros, ele aceita tudo. Portanto, tenha disciplina e siga aquilo que planejou. Pratique o ato de planejar, em pouco tempo conseguirá faze-lo como ninguém.
Continua...